Modbus RTU ou Modbus TCP: qual escolher?

diagrama de rede Modbus RTU RS485 e Modbus TCP Ethernet em painel industrial

Sumário

Escolher entre Modbus RTU ou Modbus TCP não é simplesmente decidir entre uma rede “local” e uma rede “remota”. Os dois podem atender partes diferentes da mesma arquitetura e, em muitos projetos, coexistem.

Uma instalação com equipamentos Modbus RTU em RS485, por exemplo, não precisa necessariamente substituir esses dispositivos quando surge a necessidade de integrar seus dados a uma rede Ethernet, supervisório ou sistema remoto. Dependendo da arquitetura, um gateway pode fazer a ponte entre a rede serial e o Modbus TCP.

Por isso, a escolha deve considerar as interfaces disponíveis nos equipamentos, a infraestrutura existente, a topologia, a quantidade de dispositivos, o desempenho necessário, a integração com outros sistemas e a possibilidade de expansão.

Imagine uma estação com inversores, medidores ou outros equipamentos já comunicando em Modbus RTU por RS485. Meses depois, surge a necessidade de disponibilizar essas informações em uma infraestrutura IP. Isso não significa que toda a rede serial precise ser refeita. É possível, conforme o projeto, preservar os equipamentos e integrar os dois ambientes.

O que é Modbus e como ele funciona na automação industrial?

Modbus é um protocolo de comunicação criado em 1979 e amplamente utilizado para troca de dados entre dispositivos de automação. Ele aparece em CLPs, inversores de frequência, medidores, instrumentos e diversos outros equipamentos.

Uma característica importante é que o Modbus é um protocolo da camada de aplicação. Ele define funções e a forma como clientes e servidores trocam requisições e respostas, mas pode utilizar diferentes redes e meios de comunicação.

Na terminologia atual adotada pela Modbus Organization, o cliente inicia uma solicitação e o servidor processa essa solicitação e envia a resposta. Documentações mais antigas ainda podem utilizar os termos mestre e escravo para descrever essa relação.

Entre as implementações mais encontradas na automação estão o Modbus RTU em comunicação serial e o Modbus TCP sobre TCP/IP.

O que é Modbus RTU?

Modbus RTU é um modo de transmissão serial do protocolo Modbus. Em aplicações industriais multiponto, ele é utilizado principalmente sobre RS485. A especificação Modbus Serial também admite RS232 em aplicações ponto a ponto.

Em uma rede RS485, vários equipamentos podem compartilhar um mesmo barramento. Cada servidor recebe um endereço Modbus, e os dispositivos envolvidos precisam trabalhar com parâmetros seriais compatíveis, como velocidade de comunicação, paridade e quantidade de bits de parada.

As mensagens Modbus RTU utilizam um enquadramento próprio e incluem verificação de erro por CRC.

Quando usar Modbus RTU?

O Modbus RTU pode fazer sentido quando:

  • os equipamentos disponíveis possuem interface RS485 e Modbus RTU;
  • já existe uma rede serial instalada que continua adequada à aplicação;
  • a topologia em barramento atende à distribuição dos dispositivos;
  • o ciclo de atualização necessário é compatível com a comunicação serial;
  • não existe necessidade técnica de disponibilizar Ethernet individualmente em cada dispositivo;
  • equipamentos existentes ou de campo utilizam comunicação serial.

A rede RTU pode estar concentrada em um painel ou distribuída ao longo da instalação. Além disso, o uso de Modbus RTU no campo não impede que os dados sejam posteriormente integrados a um sistema supervisório, rede Ethernet ou infraestrutura remota.

Quantos equipamentos uma rede Modbus RTU pode ter?

É necessário separar o endereçamento lógico do protocolo da capacidade física do barramento.

Na linha serial Modbus, os servidores podem receber endereços individuais de 1 a 247. Isso, porém, não significa que qualquer segmento RS485 suporte fisicamente 247 equipamentos.

A especificação da Modbus Organization estabelece 32 dispositivos como uma quantidade sempre admitida em uma rede RS485 Modbus sem repetidor. Redes com mais equipamentos podem ser possíveis quando os transceptores utilizam cargas unitárias menores e os fabricantes documentam essa capacidade.

Além da capacidade elétrica do barramento, a quantidade de equipamentos influencia o tempo necessário para consultar todos os dispositivos.

Qual é a distância máxima de uma rede RS485?

Não existe um único valor que possa ser aplicado a toda instalação.

O comprimento possível depende da velocidade de comunicação, características do cabo, número de cargas, topologia e configuração da rede.

Como referência, o guia oficial Modbus Serial apresenta 1000 metros para uma condição de até 9600 baud utilizando cabo AWG26 ou de maior seção. Esse valor não deve ser transformado em uma regra para qualquer instalação ou velocidade.

Por isso, especificar simplesmente “RS485 alcança 1200 metros” sem considerar as condições da rede pode levar a uma conclusão incorreta.

O que é Modbus TCP?

Modbus TCP transporta mensagens Modbus por TCP/IP. Em redes industriais locais, a infraestrutura normalmente utiliza Ethernet, switches e equipamentos com endereços IP.

Além da unidade de dados Modbus, a comunicação TCP utiliza um cabeçalho chamado MBAP, que contém informações utilizadas no gerenciamento da transação. A porta padrão reservada para o Modbus TCP tradicional é a TCP 502.

Quando um equipamento e o sistema que acessará seus dados possuem suporte nativo a Modbus TCP, eles podem se comunicar diretamente pela rede IP sem que seja necessária uma conversão entre Modbus RTU e Modbus TCP naquele caminho.

Isso não significa, porém, que qualquer sistema em nuvem ou plataforma de telemetria leia Modbus TCP diretamente. Dependendo da solução, um CLP, gateway, supervisório, software de comunicação ou dispositivo de borda pode fazer a coleta e encaminhar os dados para outra plataforma.

Quando usar Modbus TCP?

O Modbus TCP pode fazer sentido quando:

  • os equipamentos já disponibilizam Ethernet e Modbus TCP;
  • existe uma infraestrutura Ethernet adequada no painel ou instalação;
  • o sistema de automação ou supervisão possui cliente Modbus TCP;
  • a arquitetura precisa utilizar endereçamento IP, switches, sub-redes ou roteamento;
  • há previsão de expansão da rede Ethernet industrial;
  • a arquitetura IP oferece vantagens para a integração prevista no projeto.

A necessidade de monitoramento remoto, sozinha, não determina a escolha pelo Modbus TCP. Equipamentos Modbus RTU também podem participar de sistemas remotos quando existe uma camada adequada de integração entre a rede serial e a infraestrutura IP.

Modbus RTU vs Modbus TCP: principais diferenças

Modbus RTU e Modbus TCP utilizam as funções e o modelo de dados do protocolo Modbus, mas transportam as mensagens de maneiras diferentes.

CaracterísticaModbus RTUModbus TCP
ComunicaçãoSerial, normalmente RS485 em redes industriais multipontoTCP/IP, normalmente sobre Ethernet em redes locais
IdentificaçãoEndereço Modbus do servidorEndereço IP e porta TCP; o Unit Identifier também participa de determinadas arquiteturas com gateways
Topologia comumBarramento serialRede IP com switches e possibilidade de roteamento
DesempenhoDepende do baud rate, quantidade de dispositivos, ciclo de consulta e características dos equipamentosA Ethernet oferece maior largura de banda, mas o desempenho da aplicação também depende dos dispositivos, polling, rede e eventuais gateways
DistânciaDepende de baud rate, cabo, carga, topologia e repetidoresDepende dos enlaces e da infraestrutura IP utilizada
Integração com rede IPPode utilizar gateway, CLP ou outra camada de integraçãoNativa quando os equipamentos envolvidos suportam Modbus TCP
Configuração típicaEndereço Modbus, baud rate, paridade e bits de parada, além dos requisitos físicos da RS485Endereço IP, máscara, gateway quando necessário, porta e requisitos da infraestrutura de rede
Uso em sistemas remotosPossível por meio de uma arquitetura que integre a rede serial à infraestrutura remotaPode atravessar redes IP e roteadas conforme a arquitetura e as regras de comunicação

Como decidir entre Modbus RTU ou Modbus TCP?

Em vez de aplicar a regra “local é RTU e remoto é TCP”, comece pelas interfaces dos equipamentos e pela arquitetura que o projeto precisa construir.

Modbus RTU tende a fazer sentido quando:

  • os equipamentos disponíveis possuem RS485 e Modbus RTU;
  • já existe uma rede serial que atende à aplicação;
  • a topologia em barramento é adequada para a instalação;
  • o tempo de atualização necessário é compatível com a rede serial;
  • manter os dispositivos existentes é tecnicamente mais coerente do que substituí-los apenas para obter Ethernet.

Modbus TCP tende a fazer sentido quando:

  • os equipamentos possuem Ethernet e Modbus TCP nativos;
  • já existe infraestrutura IP disponível;
  • CLPs, supervisórios ou outros sistemas acessarão diretamente servidores Modbus TCP;
  • a arquitetura se beneficia de switches, sub-redes e roteamento;
  • o projeto prevê expansão da rede Ethernet.

Quando combinar Modbus RTU e Modbus TCP?

A combinação pode ser a melhor escolha quando:

  • equipamentos existentes em RS485 continuam adequados ao processo;
  • novos equipamentos usam Ethernet enquanto outros permanecem em comunicação serial;
  • um sistema Modbus TCP precisa acessar dados de dispositivos Modbus RTU;
  • um retrofit precisa integrar uma rede serial existente a uma nova infraestrutura Ethernet;
  • um gateway pode fazer a ponte entre as duas partes sem exigir a substituição dos equipamentos de campo.

Portanto, a decisão não deve partir apenas da distância entre os equipamentos ou da necessidade de acesso remoto.

Erros comuns ao escolher entre Modbus RTU e Modbus TCP

Alguns problemas aparecem quando protocolo, interface física e infraestrutura de comunicação são tratados como se fossem uma única decisão.

1. Achar que uma necessidade de acesso remoto exige substituir o Modbus RTU

Uma rede Modbus RTU existente pode continuar operando localmente e ter seus dados integrados a uma rede Ethernet por meio de um gateway, CLP ou outra solução compatível.

Por isso, antes de substituir equipamentos, é melhor verificar se a rede serial atual continua atendendo à aplicação e qual camada será necessária para disponibilizar esses dados aos demais sistemas.

2. Configurar parâmetros incompatíveis na mesma rede Modbus RTU

Os equipamentos que compartilham uma rede serial precisam utilizar parâmetros de comunicação compatíveis.

Diferenças de baud rate, paridade ou bits de parada impedem a comunicação correta. Além disso, cada servidor precisa ter um endereço Modbus adequado, sem duplicidade dentro daquele barramento.

3. Misturar RTU e TCP sem definir quem fará a ponte entre as redes

Modbus RTU e Modbus TCP compartilham funções Modbus, mas possuem enquadramentos e formas de transporte diferentes.

Quando um cliente Modbus TCP precisa acessar servidores Modbus RTU, uma bridge adequada pode receber a requisição TCP, realizar a transação correspondente na rede serial e devolver a resposta ao cliente.

Essa bridge precisa ser dimensionada de acordo com a quantidade de equipamentos, parâmetros seriais, conexões, frequência de consulta e demais requisitos da aplicação.

4. Planejar Modbus TCP sem planejar a própria rede IP

Definir um endereço IP para cada equipamento é apenas uma parte do projeto.

A rede também pode exigir definição de máscaras, gateway, sub-redes, switches, rotas, regras de firewall e controle sobre quais sistemas poderão alcançar cada dispositivo.

Quando essa infraestrutura ultrapassa a rede local, os requisitos de segurança também precisam entrar na especificação.

Como converter Modbus RTU para Modbus TCP?

Quando um sistema Modbus TCP precisa acessar equipamentos Modbus RTU, uma das possibilidades é utilizar uma bridge Modbus RTU/TCP.

Em uma arquitetura típica:

cliente Modbus TCP → rede Ethernet → bridge RTU/TCP → rede RS485 → dispositivos Modbus RTU

A bridge recebe a solicitação Modbus TCP, converte a transação para Modbus RTU, envia a requisição ao equipamento serial, recebe a resposta e realiza o caminho inverso até o cliente TCP.

Assim, dispositivos seriais que continuam adequados ao processo podem permanecer instalados. O projeto moderniza a camada de integração em vez de substituir equipamentos apenas porque surgiu uma rede Ethernet.

GTON-C: conversor Serial/Ethernet e bridge Modbus RTU/TCP

Um equipamento disponível no portfólio da TBC para essa função é o GTON-C da HI Tecnologia.

O GTON-C possui dois modos que não devem ser confundidos.

No modo Conversor Serial/Ethernet, ele faz a conversão do meio físico entre Ethernet e uma interface serial RS232-C ou RS485, mantendo-se transparente ao conteúdo dos dados.

No modo Bridge Modbus RTU/TCP, o equipamento interpreta a comunicação Modbus e faz a tradução entre Modbus TCP e Modbus RTU.

A HI Tecnologia documenta a operação nos dois sentidos: clientes Modbus TCP podem acessar dispositivos Modbus RTU pela interface serial e uma solicitação Modbus RTU também pode ser encaminhada para um equipamento Modbus TCP conforme a configuração prevista pelo GTON-C.

Essa função torna o equipamento especialmente útil quando o projeto precisa integrar uma rede RS485 existente a uma infraestrutura Ethernet sem eliminar automaticamente os dispositivos seriais.

Modbus em localizações remotas: onde entram Ethernet, 4G e gateways?

Uma unidade remota não precisa ter todos os equipamentos de campo operando em Modbus TCP.

O protocolo utilizado entre os dispositivos locais e o meio utilizado para conectar a unidade a outro local são decisões relacionadas, mas diferentes.

Arquitetura com equipamento Modbus TCP

Quando o equipamento possui Ethernet e Modbus TCP, uma arquitetura simplificada pode ser:

equipamento Modbus TCP → rede Ethernet local → roteador industrial → link IP → infraestrutura remota

Esse link IP pode utilizar diferentes meios conforme o projeto, incluindo uma rede celular.

Arquitetura preservando equipamentos Modbus RTU

Quando os equipamentos existentes utilizam Modbus RTU em RS485, outra possibilidade é:

dispositivos Modbus RTU → RS485 → bridge RTU/TCP → Ethernet → roteador industrial → link IP → infraestrutura remota

Nesse caso, os equipamentos de campo continuam trabalhando em Modbus RTU. A bridge faz a integração para a rede Ethernet e o roteador cuida da conectividade IP entre a unidade e a infraestrutura externa.

A necessidade de comunicação remota não obriga a substituir a rede Modbus RTU.

Qual é o papel do UR32L nessa arquitetura?

O UR32L da Milesight atua na camada de conectividade da rede.

O modelo comercializado pela TBC oferece conectividade celular 4G, duas portas Ethernet 10/100 Mbps, roteamento, firewall e suporte a diferentes tecnologias de VPN.

Sua documentação de hardware não lista uma interface RS485. Portanto, o UR32L não substitui diretamente uma bridge RS485/Modbus RTU para Ethernet.

Se os dispositivos da instalação utilizarem Modbus RTU em RS485, a arquitetura pode utilizar um gateway apropriado, como o GTON-C, ou outra solução compatível antes da camada Ethernet.

Por exemplo:

medidores/inversores Modbus RTU → GTON-C → Ethernet → UR32L → 4G/VPN → rede remota

Cada equipamento exerce uma função diferente nessa arquitetura: o GTON-C integra a comunicação RTU/TCP e o UR32L fornece os recursos de rede e conectividade externa.

Se você está definindo essa camada de comunicação, veja também como escolher um roteador industrial 4G.

E a segurança quando o Modbus atravessa uma rede remota?

O Modbus TCP tradicional utiliza a porta TCP 502. A Modbus Organization possui uma especificação separada, chamada Modbus Security, que acrescenta TLS, autenticação por certificados e outros recursos de segurança.

Em uma arquitetura que utiliza o Modbus TCP tradicional através de redes externas, o projeto precisa definir como proteger e restringir o caminho de comunicação.

Recursos como VPN, firewall, segmentação de rede e controle de acesso podem fazer parte dessa arquitetura. O UR32L, por exemplo, oferece suporte a tecnologias de VPN como IPsec, OpenVPN e WireGuard.

A rede celular fornece conectividade. Ela não deve ser confundida com a camada de segurança da aplicação.

Se a necessidade envolve acesso de engenharia a controladores instalados remotamente, veja também como funciona o acesso remoto a CLP via 4G e VPN.

Equipamentos com Modbus RTU e Modbus TCP no mesmo hardware

Alguns equipamentos disponibilizam RS485 com Modbus RTU e Ethernet com Modbus TCP no próprio hardware.

Isso amplia as possibilidades de integração porque o projetista pode considerar a interface mais adequada à arquitetura em que o equipamento será instalado.

Existe, porém, uma diferença importante entre um equipamento possuir as duas interfaces e atuar como gateway entre outros dispositivos dessas redes.

A presença de RS485 Modbus RTU e Ethernet Modbus TCP não autoriza concluir, por si só, que o equipamento converte a comunicação de dispositivos externos entre os dois protocolos.

Exemplo: Smart X96-5H

O Smart X96-5H da Eastron, comercializado pela TBC, possui interface RS485 com Modbus RTU e Ethernet com Modbus TCP.

Essas opções permitem integrar as medições do próprio Smart X96-5H a diferentes arquiteturas de automação, supervisão ou monitoramento conforme a interface prevista no projeto.

Por exemplo, uma aplicação pode utilizar a interface compatível com a rede em que o multimedidor será integrado sem depender de um conversor externo apenas para transformar uma interface inexistente no próprio medidor.

Isso não significa que devemos tratar o Smart X96-5H como uma bridge para outros dispositivos Modbus RTU. Se o projeto precisar converter a comunicação de uma rede RS485 externa para Modbus TCP, é necessário especificar um equipamento cuja função de bridge esteja documentada para essa finalidade.

Também não é necessário presumir, neste artigo, uma utilização simultânea específica das duas interfaces. A arquitetura deve seguir os recursos e condições documentados para o Smart X96-5H e os requisitos do sistema ao qual ele será integrado.

Quando o Modbus não é suficiente?

Modbus atende muitas aplicações de automação, mas não deve ser escolhido automaticamente para qualquer projeto.

Outros protocolos podem aparecer quando a arquitetura, os equipamentos ou os requisitos da aplicação exigem recursos diferentes.

  • DNP3: aparece em aplicações de energia e infraestrutura nas quais recursos específicos de comunicação e tratamento de eventos fazem parte da arquitetura.
  • PROFIBUS e PROFINET: pertencem a outro ecossistema de comunicação industrial e podem ser necessários quando os equipamentos ou a especificação do sistema utilizam essas tecnologias.
  • MQTT: utiliza o modelo de publicação e assinatura e é comum em arquiteturas de IoT e integração de dados com brokers e aplicações externas.
  • OPC UA: pode atender projetos que exigem interoperabilidade entre sistemas, modelagem de informação e recursos próprios de segurança e integração.

Antes de definir o protocolo, é necessário entender quais equipamentos participarão da comunicação e quais requisitos o sistema precisa atender.

Checklist: Modbus RTU ou Modbus TCP para o seu projeto

Antes de fechar a especificação, responda:

  • Quais interfaces de comunicação os equipamentos já possuem?
  • Existe uma rede RS485 instalada que continua adequada e pode ser preservada?
  • Existe infraestrutura Ethernet disponível no painel ou na instalação?
  • Qual equipamento ou software iniciará as requisições Modbus?
  • O sistema que receberá os dados suporta Modbus RTU, Modbus TCP ou ambos?
  • Quantos dispositivos participarão da rede?
  • Qual ciclo de atualização a aplicação exige?
  • O comprimento, cabeamento, terminação e topologia da rede RS485 atendem ao projeto?
  • Será necessário integrar equipamentos seriais a uma infraestrutura IP?
  • Se RTU e TCP coexistirem, qual equipamento realizará a bridge entre as redes?
  • A comunicação precisará atravessar diferentes redes ou localizações?
  • Qual infraestrutura ligará esses pontos: Ethernet, fibra, rádio, rede celular ou outra solução?
  • Como serão definidos endereçamento IP, sub-redes e rotas?
  • Quais sistemas poderão acessar os equipamentos?
  • Quais controles de segurança a arquitetura exigirá?
  • Existe previsão de expansão ou inclusão de novos dispositivos?

Essas perguntas são mais úteis do que utilizar uma regra automática como “local = RTU” e “remoto = TCP”.

Modbus RTU e Modbus TCP: complementares, não concorrentes

Modbus RTU e Modbus TCP podem existir separadamente ou participar da mesma arquitetura.

O RTU continua adequado a diversas redes seriais. O TCP atende equipamentos e sistemas que se comunicam por uma infraestrutura IP. Quando os dois ambientes precisam trocar informações, bridges, gateways, CLPs ou outras soluções de integração podem conectar essas camadas conforme o projeto.

Por isso, monitoramento remoto não significa automaticamente Modbus TCP no equipamento de campo. Da mesma forma, utilizar Modbus RTU não impede que os dados de uma instalação cheguem a sistemas de supervisão ou telemetria.

A melhor decisão considera as interfaces disponíveis, a infraestrutura existente, topologia, desempenho, possibilidade de expansão e o caminho completo que as informações precisarão percorrer.

Se você também está especificando a medição elétrica da instalação, veja nosso guia de especificação de multimedidor de grandezas elétricas.

Perguntas frequentes sobre Modbus RTU e Modbus TCP

Qual é a diferença entre Modbus RTU e Modbus TCP?

Modbus RTU utiliza comunicação serial e aparece principalmente sobre RS485 em aplicações industriais. Modbus TCP transporta as mensagens Modbus por TCP/IP, normalmente utilizando Ethernet nas redes locais. Eles compartilham as funções e o modelo de dados Modbus, mas usam formas diferentes de transporte e enquadramento.

O que significa RTU no Modbus?

RTU significa Remote Terminal Unit e, no contexto do protocolo, identifica o modo de transmissão RTU utilizado na comunicação serial.

A sigla RTU também pode designar uma Unidade Terminal Remota utilizada em sistemas de automação e telemetria. Portanto, o contexto precisa ser observado porque os dois usos não significam a mesma coisa.

Quando usar Modbus RTU e quando usar Modbus TCP?

Modbus RTU pode ser adequado quando os equipamentos utilizam interface serial, existe uma rede RS485 que atende à aplicação ou a topologia em barramento é apropriada para o projeto.

Modbus TCP pode ser adequado quando os equipamentos possuem Ethernet, existe uma infraestrutura IP e a integração será realizada diretamente através de TCP/IP.

A necessidade de acesso ou monitoramento remoto não determina sozinha essa escolha.

Uma instalação Modbus RTU precisa ser substituída para ter monitoramento remoto?

Não necessariamente. Se os dispositivos seriais continuam adequados ao processo, um gateway, CLP ou outra solução de integração pode disponibilizar seus dados para uma infraestrutura IP sem exigir a substituição completa da rede RTU.

Modbus RTU e Modbus TCP são compatíveis entre si?

Os dois pertencem à família Modbus e compartilham funções e modelo de dados, mas suas mensagens utilizam transportes e enquadramentos diferentes. Quando um cliente Modbus TCP precisa acessar um dispositivo Modbus RTU, uma bridge ou gateway pode realizar a conversão entre as duas comunicações.

Quantos dispositivos posso conectar em uma rede Modbus RTU?

O endereçamento Modbus Serial permite endereços individuais de 1 a 247, mas esse número não representa automaticamente a capacidade física de um segmento RS485.

A especificação Modbus considera 32 dispositivos uma quantidade sempre admitida sem repetidor. Quantidades maiores podem ser possíveis conforme a carga unitária dos transceptores, a polarização da linha e as características documentadas pelos fabricantes.

O desempenho também precisa ser considerado: quanto mais dispositivos o cliente precisa consultar, maior pode ser o tempo para completar um ciclo de leitura.

Qual é a distância máxima de uma rede Modbus RTU em RS485?

Não existe um único valor máximo para todas as redes. O comprimento depende do baud rate, cabo, quantidade de cargas e configuração da rede.

Como referência, a especificação Modbus Serial apresenta 1000 metros em uma condição de até 9600 baud utilizando cabo AWG26 ou de maior seção. Outras condições podem exigir valores diferentes.

Modbus TCP é sempre mais rápido que Modbus RTU?

Não é correto determinar o desempenho da aplicação apenas pelo nome do protocolo.

A Ethernet normalmente oferece uma largura de banda muito maior do que uma rede serial, mas o tempo final de uma transação também depende dos dispositivos, ciclo de polling, quantidade de requisições, switches, gateways, latência e capacidade de processamento.

Portanto, a infraestrutura do Modbus TCP oferece maior capacidade de comunicação, mas isso não garante, sozinha, que qualquer aplicação responderá mais rapidamente.

Posso utilizar Modbus TCP através de uma rede celular 4G?

Sim. Como utiliza TCP/IP, o tráfego Modbus TCP pode atravessar uma infraestrutura IP que inclua um link celular, desde que a arquitetura de rede permita essa comunicação.

Isso não significa que todos os dispositivos de campo precisem trabalhar em Modbus TCP. Uma rede Modbus RTU pode permanecer em RS485 e utilizar uma bridge antes da camada Ethernet e do roteador celular.

O UR32L converte diretamente uma rede Modbus RTU em Modbus TCP?

O UR32L comercializado pela TBC possui conectividade celular e Ethernet, mas sua documentação de hardware não apresenta uma interface RS485. Portanto, ele não substitui diretamente um gateway necessário para conectar dispositivos físicos RS485 à rede Ethernet.

Quando a aplicação possui uma rede Modbus RTU em RS485, uma solução possível é utilizar uma bridge adequada, como o GTON-C, antes da camada Ethernet onde o UR32L será conectado.

O Smart X96-5H possui Modbus RTU e Modbus TCP?

Sim. O Smart X96-5H possui RS485 com Modbus RTU e Ethernet com Modbus TCP para integração das medições do próprio multimedidor.

A presença dessas duas interfaces não deve ser interpretada automaticamente como uma função de bridge para converter a comunicação de outros dispositivos RTU em Modbus TCP.

Ter Modbus RTU e Modbus TCP no mesmo equipamento significa que ele é um gateway?

Não. Um equipamento pode possuir as duas interfaces para disponibilizar seus próprios dados em redes diferentes sem necessariamente converter as mensagens de outros dispositivos entre Modbus RTU e Modbus TCP.

A função de bridge ou gateway precisa estar explicitamente prevista pelo fabricante.

Precisa definir a arquitetura de comunicação do seu projeto?

A escolha entre Modbus RTU, Modbus TCP ou uma arquitetura que combine os dois depende dos equipamentos existentes, das interfaces disponíveis e de como as informações precisam circular entre campo, automação, supervisão e sistemas remotos.

A TBC Automação trabalha com CLPs, inversores de frequência, medidores, gateways, roteadores industriais e soluções de automação e telemetria para integrar essas diferentes camadas.

Se o seu projeto envolve uma rede RS485 existente, integração com Ethernet, comunicação entre unidades ou modernização de equipamentos, nossa equipe pode avaliar a arquitetura antes da especificação.

Fale com a equipe técnica da TBC Automação.

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